Alerta: venda de atestados médicos virtuais falsos
A venda de atestados médicos virtuais falsos acendeu alerta para empresas. Um comerciante de Copacabana investigou a situação após receber, em março, três atestados digitais seguidos de uma funcionária em período de experiência. Ao verificar o QR Code dos documentos, constatou que não apareciam o nome e o CRM da médica indicada nos atestados.
Para testar o funcionamento da plataforma usada pela empregada, o empresário acessou o site e conseguiu comprar, sem passar por consulta, um atestado de um dia por “dismenorreia”, condição ligada a cólica menstrual intensa, mesmo sendo homem. Em outro caso citado na reportagem, um empresário da Região Serrana informou aumento de 20% no volume de atestados e, usando dados fictícios, obteve licenças de sete dias por R$ 70 cada.
A matéria também relata que alguns sites oferecem atestados de forma automatizada, com escolha da doença, unidade de saúde e período de afastamento. Em um dos casos, os preços variavam de R$ 39,90 por um dia a R$ 89,90 por 15 dias, com cobrança adicional para incluir CID e QR Code de verificação. Também foram identificadas ofertas por WhatsApp, com valores negociados conforme o período de afastamento.
Diante das suspeitas, empresários registraram ocorrência policial, e a reportagem aponta diligências em andamento na 13ª DP, na 151ª DP e na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. O Conselho Federal de Medicina, por sua vez, informa que atestados físicos e digitais seguem válidos, mas especialistas reforçam que o documento virtual deve ser precedido de consulta médica.
A médica cujo nome consta dos três atestados da funcionária e do fornecido ao comerciante conta estar há três anos morando na Itália e exercendo a profissão por meio de telemedicina. Acrescenta que, há dois meses, vem sendo procurada por empresas por causa de atestado falso, fato que comunicou ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), porque seu registro é de lá. Foi direcionada a fazer um boletim de ocorrência online, mas ela diz ter dificuldades por viver no exterior.



